21 de julho

Aniversário do Fluminense Football Club

 

Amigas e Amigos,

Mais uma reprise, esta extraordinária, merece um comentário maior:

Os Intocáveis (The Untouchbles, 1987), de Brian De Palma. Roteiro de David Mamet, baseado em livro de Oscar Fraley, Eliot Ness e Paul Robsky.

 

Os Intocáveis pode ter sua estória reduzida à luta do bem contra o mal.

 

É um filme que cumpre fielmente a primordial função do cinema: diversão.

 

Mas não é só.

 

Brian De Palma é um cineasta que faz questão de homenagear os cineastas que o influenciaram. Ele fez um filme inteiro, por exemplo, para Hitchock, Dublê de Corpo, nesta película temos referências a Janela Indiscreta, Um Corpo que Cai, Disque M para Matar entre outros.

 

Já em Os Intocáveis as homenagens com explícitas citações são diversas.

 

Todo a sonoplastia do filme nos remete às obras de Sérgio Leone, com ruídos fortes nas freadas dos carros e nos tiros.

 

Além da sonoplastia a trilha sonora é típica de Leone e composta pelo maestro quase cineasta Enio Morricone. Ele esbanjou música nas cenas, e Morricone como em todos os filmes compõe para cada momento, há a música tenra para os momentos de Nesse e sua família, há a música heróica paras as ações dos intocáveis, há a música forte para AL Capone ou para o suspense.

 

Outro homenageado, como não poderia deixar de ser, é Alfred Hitchock. E o filme a que De Palma nos remete é Um Corpo que Cai, de forma simples e óbvia, com um corpo caindo, filmado em várias tomadas diferentes.

 

Mas a maior de todas as referências em Os Intocáveis, sem dúvida é a obra prima do russo Sergei Eisenstein: Encouraçado Potemkin, mais precisamente com uma explícita menção à belíssima cena da Escadaria de Odessa. De Palma faz questão de tornar explícita a homenagem, não basta um carrinho de bebê deslizando, um rosto de uma mãe horrorizada, mas ele ainda enfeita a cena com marinheiros.

 

Nesta luta do bem contra o mal, venceu o bem, mas foi duro. Os heróis são humanos, sofrem, amam, choram, não aceitam a morte tão facilmente, mas não se deixam levar pela corrupção.

 

Naquela época ainda existiam homens íntegros, verdadeiros “pais de família”, doces e tenros, mas duros no batente.

 

Capone personifica o mal, mas a personagem Ritty funciona como um anjo mal, um demônio que se traveste de branco, um demônio que mata com prazer, seja criancinha, seja adulto, seja civil, seja policial. E Ness o combate e o aniquila.

 

O bem supera o mal.

 

Os Intocáveis, um filme para ver e rever, um filme que deve ser exibido nas salas de aula para discutir-se ética, justiça e moral.

 

É isso!

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